Por Caiari FM
Por Elas na Escola leva orientações a estudantes da rede pública e prevê capacitação de professores para ampliar a prevenção no ambiente escolar
Ensinar crianças e adolescentes a reconhecer a violência contra a mulher, inclusive quando não há agressão física. Esse é o objetivo do projeto Por Elas na Escola, do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), que começou com atividades em escolas públicas de Porto Velho e tem como proposta levar o debate ao interior do estado.
A iniciativa é desenvolvida pela Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (COMSIV). Nos encontros, os estudantes recebem informações sobre diferentes formas de violência e participam de conversas sobre respeito, prevenção e busca por ajuda.
Segundo a desembargadora Inês Moreira da Costa, coordenadora da COMSIV, uma das dificuldades enfrentadas é a ideia de que só existe violência quando há uma lesão no corpo.
“Imagina-se que a violência às vezes é só aquela que deixa uma marca física. E muitas violências deixam marcas na alma da mulher”, afirma.
Em entrevista, Inês explica que o projeto procura ajudar os alunos a identificar essas situações. A intenção também é permitir que reconheçam quando alguém próximo pode precisar de apoio.
O que os estudantes aprenderam
O lançamento ocorreu na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Estudo e Trabalho, em Porto Velho. A programação reuniu estudantes em uma palestra com a psicóloga Aline Rodrigues Maia e a assistente jurídica Lorena Santos Gorayeb.

Foto: Divulgação/TJRO
De acordo com a assessoria do TJRO, os alunos fizeram perguntas, compartilharam opiniões e discutiram formas de identificar e denunciar a violência.
No vídeo do lançamento, um estudante, não identificado pelo nome, comenta que passou a compreender a existência de agressões que vão além das físicas.
“Tem vários tipos de violência”, diz. “Não existe só a física.”
A estudante Laura também destacou a importância de meninas e meninos prestarem atenção às situações do dia a dia. Já Brena falou sobre a necessidade de interromper as agressões de meninos contra meninas desde cedo.
“É melhor acabar agora pra depois ficar tudo bem”, afirmou.
As falas registram o entendimento dos estudantes durante a atividade. Nenhum desses depoimentos, no material apresentado, identifica os alunos como vítimas de violência.
Debate ajuda a reconhecer situações próximas
Para Ana Paula, apresentada no vídeo como coordenadora da Escola Estudo e Trabalho, conversar com profissionais que atuam no enfrentamento à violência pode ajudar os estudantes a entender situações que acontecem perto deles.
Segundo ela, alguns jovens convivem com a violência doméstica em casa ou conhecem alguém que passa por isso. Ao discutir o assunto na escola, eles podem prestar mais atenção a essas situações.
Inês relata que esse reconhecimento também aparece durante as atividades do projeto.
“Muitas vezes eles vivenciam aquilo na própria casa. Então, pra eles, às vezes cai a ficha da violência ali naquele momento”, explica.
A desembargadora ressalta que, quando isso acontece, é preciso considerar o cuidado com o estudante.
“Tem essa preocupação de trazer esse acolhimento para esse aluno e o acompanhamento que ele precisa a partir dali.”
Na entrevista, Inês não detalhou como são feitos os encaminhamentos nem quais serviços ficam responsáveis pelo acompanhamento após a identificação de uma situação de violência.
Professores também estão nos planos do projeto

Foto: Divulgação/TJRO
Além dos encontros com os alunos, o Por Elas na Escola prevê a capacitação de profissionais da educação. A proposta é que os professores possam dar continuidade às orientações na rotina escolar.
Na ocasião da entrevista, Inês informou que essa formação ainda seria realizada. Ela também anunciou a preparação de uma cartilha com informações sobre formas de violência, como identificá-las e como agir nessas situações.
“A gente espera que, a partir dessa conscientização, dessa capacitação com os professores, eles possam disseminar isso em toda a rede escolar”, afirmou.
A capacitação e a cartilha foram apresentadas pela desembargadora como etapas previstas. A entrevista não confirma a conclusão dessas ações.
Atividades começaram em Porto Velho
Depois do lançamento na Escola Estudo e Trabalho, o projeto teve continuidade na Escola Estadual Governador Araújo Lima, também na capital. Segundo o TJRO, essa atividade foi realizada pela assistente social Jordânia Maria Damasceno.
A programação divulgada pelo Tribunal previa visitas a comarcas do interior, com palestras e orientações sobre a Lei Maria da Penha e a prevenção da violência doméstica.
Para Inês, trabalhar o tema com os estudantes permite discutir ideias e comportamentos que contribuem para a violência contra as mulheres.
“Muitas vezes ainda se tem um machismo muito arraigado na nossa sociedade e a gente precisa mudar essa visão sobre o que configura ou não violência contra a mulher”, afirma.
O objetivo apresentado pela COMSIV é fazer com que a informação recebida na escola ajude os jovens a reconhecer a violência e a compreender quando é necessário buscar apoio.
Com informações da Assessoria de Comunicação Institucional do TJRO. As falas dos estudantes e da coordenadora escolar foram extraídas do vídeo do lançamento do projeto.
