Ministro Kassio Nunes Marques destacou a participação dos eleitores, apresentou dados da votação e abordou os desafios enfrentados durante a apuração
Com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 59.826.041 votos (48,21%). O resultado foi anunciado neste domingo (25) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que parabenizou os dois candidatos pela participação no 2º turno, além dos seis governadores eleitos.
“Esta noite não pertence apenas às chapas eleitas. Ela pertence, sobretudo, à eleitora e ao eleitor brasileiros, principais protagonistas das eleições e os destinatários de todo o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral”, ressaltou o presidente.
Durante o pronunciamento, Kassio Nunes Marques ressaltou a participação popular no processo democrático. O 2º turno contou com mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar, dos quais 128,2 milhões compareceram às urnas. A abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no 1º turno.
O presidente também mencionou as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para facilitar o exercício do voto. Entre elas, a disponibilização de mais de 95 mil locais de votação em todo o território nacional, com o objetivo de reduzir os deslocamentos e aproximar as seções eleitorais dos cidadãos.

Prorrogação do horário de votação
O presidente do TSE também abordou os desafios provocados pela decisão liminar do STF que prorrogou das 17h para as 19h, no horário de Brasília, a votação nas seções eleitorais que ainda estavam abertas. A medida, comunicada após o horário previsto para o encerramento do pleito, exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração, além de cuidados adicionais com a segurança de servidores e mesários. “Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado”, afirmou.
Kassio Nunes Marques relatou que, ao receber o pedido de ampliação do horário, por volta das 15h30, buscou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes do TSE. Segundo ele, não havia norma que autorizasse a prorrogação, medida até então inédita no Tribunal.
O ministro explicou que uma alteração dessa natureza, decidida poucas horas antes do encerramento da votação, poderia produzir consequências técnicas e operacionais difíceis de prever, inclusive com possíveis impactos sobre a apuração.
Como a decisão foi proferida após as 17h, milhares de urnas eletrônicas já haviam sido encerradas, sem possibilidade de reabertura. Diante desse cenário, foi necessário suspender temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna (BUs), o que provocou um acúmulo de arquivos à espera de processamento.
Apesar das dificuldades, o presidente do TSE ressaltou que as providências adotadas e o trabalho das equipes técnicas permitiram avançar com a apuração. O ministro destacou ainda que as Eleições 2026 foram um sucesso em atendimento ao eleitorado. Das 499.248 urnas utilizadas no 2º turno, 1.551 (0,31%) precisaram ser substituídas.
Eleições em Rondônia
Em Rondônia, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), desembargador Raduan Miguel Filho, avaliou positivamente o segundo turno das eleições no estado, destacando a tranquilidade durante a votação. Segundo o magistrado, foram registradas sete ocorrências relacionadas às urnas eletrônicas em todo o estado, em um universo de quase cinco mil equipamentos. Também foram contabilizadas 15 ocorrências policiais e 13 atendimentos de emergência.
Entre o primeiro e o segundo turno, 11 seções eleitorais tiveram seus endereços alterados devido a problemas estruturais nos locais de votação. De acordo com o presidente, as mudanças ocorreram para locais próximos, sem prejuízo aos eleitores.
O desembargador também explicou que apenas quatro seções eleitorais tiveram o horário de votação estendido, em cumprimento à decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada a problemas de transporte na Bahia. Em Rondônia, segundo ele, não houve filas que justificassem a ampliação do horário na maioria das seções.
“A eleição transcorreu numa normalidade tão grande que não houve fila que necessitasse fazer esse alongamento do horário”, concluiu o presidente do TRE-RO.
Com informações do TSE
Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE
