Os tradicionais orelhões, que fizeram parte do cotidiano de milhares de brasileiros entre as décadas de 1970 e o início dos anos 2000, estão com os dias contados. A partir de 2026, tem início o encerramento definitivo desse serviço nas grandes cidades brasileiras, simbolizando uma mudança histórica no setor de telecomunicações.
Com o fim das concessões do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), as cinco empresas responsáveis pelos orelhões deixam de ser obrigadas a manter telefones públicos e linhas fixas. Já neste mês de janeiro, cerca de 30 mil carcaças de orelhões começam a ser retiradas de ruas e avenidas em todo o país.
Alguns poucos aparelhos ainda poderão permanecer em funcionamento até 2028, exclusivamente em localidades onde não exista nenhuma outra alternativa de serviço de telefonia. Em contrapartida, as concessionárias deverão direcionar investimentos para a ampliação das redes de banda larga e telefonia móvel.
Orelhões quase extintos
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), não há mais produção de cartões telefônicos, e os pontos de venda praticamente desapareceram. A agência determina que, na ausência de cartões, os orelhões remanescentes devem permitir ligações locais e nacionais gratuitas para telefones fixos.
Atualmente, pouco mais de 2 mil orelhões ainda sobrevivem em todo o Brasil. A Anatel mantém em seu site uma lista com os endereços desses aparelhos.
Novas regras para a telefonia fixa
Além do fim gradual dos orelhões, 2026 também marca uma profunda mudança na organização das áreas locais da telefonia fixa. De acordo com a Resolução nº 768/2024 da Anatel, as Áreas Locais do STFC passarão a coincidir com os limites geográficos dos códigos DDD (Códigos Nacionais – CNs).
Com isso, o número de áreas locais será drasticamente reduzido, passando de 4.118 para apenas 67 áreas, equivalentes aos 67 códigos DDD existentes no país. A medida iguala as áreas da telefonia fixa às áreas de registro da telefonia móvel (SMP).
Na prática, ligações entre municípios com o mesmo DDD, que antes eram consideradas de longa distância, passarão a ser tarifadas como chamadas locais, o que pode representar redução de custos para os usuários. A discagem também será simplificada: para chamadas entre telefones fixos do mesmo DDD, bastará digitar o número de destino, sem necessidade de código de operadora ou do próprio DDD.
A Anatel destaca que a modernização simplifica regras, estimula a concorrência, favorece a convergência dos serviços de telecomunicações e amplia a transparência para o consumidor.
Exemplo prático: Bahia
No estado da Bahia, atualmente existem 384 áreas locais. Com a mudança, esse número cairá para apenas cinco, correspondentes aos DDDs 71, 73, 74, 75 e 77. Municípios como Catu e Saubara, por exemplo, passarão a realizar chamadas locais para Salvador, ao custo de ligação local.
A princípio, não haverá alteração nos números telefônicos dos usuários. Qualquer eventual mudança deverá ser devidamente justificada pela prestadora do serviço.
Cronograma de implantação das novas Áreas Locais do STFC
A implementação ocorrerá de forma gradual, em nove etapas, conforme o código DDD de cada região:
- 11 de janeiro de 2026 – DDDs 71, 73, 74, 75, 77 e 79
Bahia (BA) e Sergipe (SE) - 1º de fevereiro de 2026 – DDDs 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98 e 99
Amazonas (AM), Amapá (AP), Maranhão (MA), Pará (PA) e Roraima (RR) - 22 de fevereiro de 2026 – DDDs 81 a 89
Alagoas (AL), Ceará (CE), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Piauí (PI) e Rio Grande do Norte (RN) - 15 de março de 2026 – DDDs 51, 53, 54 e 55
Rio Grande do Sul (RS) - 29 de março de 2026 – DDDs 41 a 49
Paraná (PR) e Santa Catarina (SC) - 19 de abril de 2026 – DDDs 31, 32, 33, 34, 35, 37 e 38
Minas Gerais - 10 de maio de 2026 – DDDs 21, 22, 24, 27 e 28
Rio de Janeiro (RJ) e Espírito Santo (ES) - 31 de maio de 2026 – DDDs 61 a 69
Acre (AC), Distrito Federal (DF), Goiás (GO), Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT), Rondônia (RO) e Tocantins (TO) - 21 de junho de 2026 – DDDs 11 a 19
São Paulo (SP)
Mais informações podem ser consultadas no site da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), incluindo uma seção de Perguntas Frequentes sobre áreas tarifárias dos serviços de telecomunicações.
Com informações da Anatel
Foto: Júlia Nascimento/G1 com reprodução do Tech Tudo




