Encontro reúne representantes dos regionais Porto Velho e Ariquemes e promove escuta, reflexão e partilha sobre os caminhos da Igreja local nos próximos anos
A Arquidiocese de Porto Velho realiza, nesta semana, a formação anual destinada aos agentes de pastorais. O encontro acontece no CAP – Centro Arquidiocesano de Pastoral e reúne representantes dos dois regionais da Arquidiocese, Porto Velho e Ariquemes, entre leigos, diáconos, padres, religiosos e religiosas que atuam na missão da Igreja local.
Neste ano, a formação tem como um dos principais objetivos contribuir para a construção do novo Plano Pastoral da Arquidiocese, que deverá orientar as ações pastorais nos próximos anos.
De acordo com o padre André Bordignon, coordenador de Pastorais da Arquidiocese de Porto Velho, o processo de elaboração do plano considera diferentes contribuições já produzidas pela Igreja local.
“Este ano nós estamos trabalhando o nosso plano de pastoral, que nós recebemos da coordenação anterior. O plano pastoral teve esse atraso devido à morte do Papa Francisco. As diretrizes demoraram um ano a mais para serem feitas, porque elas vêm da Assembleia dos Bispos. Mas já havia um processo, e esse processo está sendo respeitado”, explica.
Segundo padre André, também estão sendo consideradas as contribuições do processo do Sínodo sobre a Sinodalidade, do Congresso Eucarístico e das paróquias e coordenações arquidiocesanas de pastoral.
“A ideia é trazer as contribuições. Aí nós vamos melhorando, vamos aprimorando, e ainda vamos voltar mais uma vez para todas as bases das paróquias, comunidades e coordenações, em outubro, por setores”, acrescenta padre André.

O professor César Kuzma, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é o assessor da formação deste ano. Durante o encontro, ele conduz reflexões sobre sinodalidade e os caminhos para a elaboração do novo Plano Pastoral.
De acordo com o professor, a proposta é unir as diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil à experiência vivida pela Arquidiocese de Porto Velho, incluindo as contribuições do processo sinodal e do Sínodo para a Amazônia.
“Este encontro tem alguns objetivos principais. A Arquidiocese está trabalhando um novo plano pastoral, tendo por base as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, mas também estamos numa fase de implementação dos processos da sinodalidade”, explica.

O professor destaca ainda a importância da experiência acumulada pela Igreja na Amazônia.
“Nós também temos uma herança do Sínodo da Amazônia, que foi crescido e gestado aqui neste território. Então, a ideia do encontro é fazer aproximações, ouvir as pessoas, oferecer uma fala construtiva que possa somar neste momento importante da Arquidiocese”, afirma.
Os trabalhos estão divididos em dois momentos. Durante as manhãs, são realizadas exposições e reflexões sobre os temas propostos. À tarde, os participantes são convidados aos debates em grupos e, posteriormente, às partilhas em plenária.

Para o assessor, a escuta é um dos elementos fundamentais do processo de sinodalidade.
“Eu tenho trazido alguma fala sobre a sinodalidade, um pouco daquilo que temos estudado e pesquisado a respeito disso, mas é importante ouvir também as pessoas. Uma das bases da sinodalidade é a escuta. É importante ouvir histórias, relatos e experiências de pessoas que fazem parte e que constroem a história desta Igreja”, ressalta.
Outro tema abordado durante a formação é a encíclica Dilexit nos, do Papa Leão XIV, que, conforme apresentado no encontro, também é relacionada aos desafios contemporâneos e à necessidade de colocar a pessoa humana no centro das reflexões diante das transformações tecnológicas e sociais.
O professor César Kuzma destaca a preocupação com os impactos das novas tecnologias e dos novos processos de mercado sobre a vida humana.
“Nós vamos trabalhar um pouco da Magnifica Humanitas, que é essa encíclica do Papa Leão XIV, que trabalha essa dinâmica das novas tecnologias, esses novos processos de mercado, o que ele chama, com o Papa Francisco, de paradigma tecnocrático. Só que a centralidade do documento é como nós podemos proteger o humano, a vida humana, que não pode ser deixada para trás”, afirma.

O arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi, também participa da formação e destaca a importância do encontro para a construção do Plano Pastoral da Arquidiocese.
Segundo ele, o processo está alicerçado nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil, aprovadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e também nas reflexões do processo sinodal.
“A temática do ano é a construção do nosso Plano de Pastoral para os próximos anos aqui na Arquidiocese. Alicerçados nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil, que foram publicadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mas também sustentados pelo documento final do Sínodo sobre a Sinodalidade, para que verdadeiramente a nossa Igreja seja uma Igreja que caminha junto”, afirma Dom Roque.
Além do momento de formação e reflexão, Dom Roque destaca a importância da convivência entre os participantes.
“Podemos ressalta neste encontro, sobretudo, a riqueza do encontro, da convivência, porque aqui, temos missionários e missionárias que vêm de muitos lugares, inclusive de muitos países. Nós temos aqui gente de oito países, e isso tudo exige uma capacidade de acolher e, sobretudo, aprender com todos”, afirma.
Para o arcebispo, a diversidade presente no encontro também representa uma oportunidade de aprendizado e fortalecimento da missão.
“Somos todos aprendizes na escola de Jesus e na escola também de viver a missão na diversidade, no pluralismo, mas na certeza de que nós temos um único objetivo: seguir Jesus, caminho, verdade e vida”, conclui Dom Roque.
A formação dos agentes de pastorais segue até sexta-feira (10), com encerramento após o almoço. A partir das reflexões, escutas e contribuições apresentadas durante o encontro, a Arquidiocese de Porto Velho dará continuidade ao processo de construção do Plano Pastoral, que deverá orientar as ações da Igreja nos próximos anos.
Por: Rádio Caiari
