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TRE-RO promove debate sobre participação feminina e democracia em Rondônia

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) realizou, na tarde desta quinta-feira (14), no auditório da OAB Rondônia, um encontro voltado às mulheres, por meio do programa “Mais Mulheres – Um Incentivo à Maior Representatividade Feminina”. Com o tema “Mulher e a Democracia”, a ação teve como objetivo fortalecer o debate sobre a participação feminina nos espaços de poder e incentivar a ampliação da representatividade das mulheres na política brasileira.

O evento contou com a participação de diversas palestrantes, entre elas a atriz, escritora, poetisa, cantora e jornalista Elisa Lucinda, que ministrou a palestra “Palavra é Poder”. A programação reuniu autoridades do sistema de justiça, representantes da OAB, parlamentares e integrantes da sociedade civil em um debate sobre os desafios e avanços da presença feminina nos espaços de decisão.

Na abertura do encontro, o presidente do TRE-RO, desembargador Raduan Miguel Filho, destacou a importância da iniciativa e da ampliação da presença feminina nos espaços de representação democrática.

“Por isso essa denominação do programa chamar-se Mais Mulheres, porque queremos aumentar o poder, não das mulheres, mas o poder de representatividade nos órgãos e nos locais, nos cargos de representação democrática. Homens não representam homens, homens representam o povo, e queremos também mulheres representando o povo”, pontuou o desembargador.

A advogada e juíza membro do TRE-RO, doutora Letícia Botelho, uma das palestrantes do evento, abordou os diferentes tipos de violência enfrentados pelas mulheres no cenário político, especialmente a violência simbólica.

“Quando falamos a palavra violência, não indica uma violência física, mas toda a violência simbólica que existe quando não se permite que a mulher adentre os espaços de poder e decisão. Muitas vezes, a mulher é reduzida por palavras que atacam sua moral e sua honra, criando impedimentos e desestimulando sua participação na política. Esse trabalho visa trazer maior conscientização sobre o poder da mulher, considerando que, aqui em Rondônia, elas representam 52% do eleitorado. Temos muito mais mulheres que poderiam estar participando, não apenas votando, mas também sendo votadas”, destacou Letícia Botelho.

A vice-presidente da OAB Rondônia, advogada Vanessa Esber, também palestrante do encontro, falou sobre a “Evolução da participação feminina na política brasileira” e ressaltou a importância da presença conjunta de homens e mulheres no debate.

“É importantíssimo. Nós, na OAB, temos uma luta constante para promover eventos que envolvam homens e mulheres e que reflitam especialmente a melhoria da sociedade. Eventos como este trazem luz não só para as mulheres, mas para toda a sociedade. Temos magistrados aqui, pessoas do sistema de justiça, que contribuem para essa mentalidade de que as mulheres precisam ocupar espaços. Hoje somos maioria na população e também no eleitorado, mas ainda estamos longe de ocupar metade desses espaços. Existem políticas públicas que só as mulheres conhecem profundamente e, para aplicá-las, elas precisam estar nos espaços de poder”, afirmou Vanessa.

A desembargadora Zelite Andrade Carneiro, que palestrou sobre os “Desafios estruturais que dificultam a presença das mulheres nos espaços de poder”, chamou atenção para as barreiras culturais ainda presentes na sociedade.

“Diante de todos os desafios, o pior deles é a cultura estrutural que se arraigou na sociedade, essa crença de que o homem manda, de que ele é o grande provedor e de que a mulher deve apenas obedecer. Por incrível que pareça, isso ainda existe na atualidade. Já avançamos muito, mas ainda precisamos avançar mais”, ressaltou a desembargadora.

A deputada estadual Taíssa Souza também falou sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na política e destacou a baixa representatividade feminina no parlamento estadual.

“São vários desafios. Não podemos deixar de falar da questão de gênero. Hoje, dentro de 24 parlamentares da Assembleia Legislativa, temos apenas cinco mulheres. Em toda a história das 11 legislaturas, somente na terceira legislatura houve esse mesmo número de mulheres. Faz 30 anos que não havia um volume significativo de representantes femininas, e ainda assim esse número é pequeno diante da nossa representatividade, já que mais de 55% da população é formada por mulheres”, destacou a deputada.

Taíssa Souza também ressaltou a necessidade constante de provar competência e defender pautas voltadas às mulheres.

“Os desafios não são apenas provar a competência, mas mostrar que é necessário estarmos nesses espaços para dialogar, nos posicionar e trazer pautas que só nós, mulheres, podemos discutir. Ainda há muito a avançar. Somos mães, esposas, e hoje dividimos todas essas responsabilidades também com a política”, pontuou.

Fotos: Ascom – TRE/RO