Neste sábado (21), às 17h, a Capela de São Francisco de Assis, localizada na esquina das avenidas Campos Sales e Pinheiro Machado, em Porto Velho, será reaberta oficialmente com uma missa solene de dedicação da igreja. A celebração acontece no ano em que se comemora o jubileu de 800 anos da morte de São Francisco de Assis.
A cerimônia será presidida por Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, e concelebrada pelo padre Geraldo Siqueira, pároco da Catedral do Sagrado Coração de Jesus, da qual a capela faz parte. A celebração contará ainda com a participação de padres convidados, diáconos e toda a comunidade.
Em entrevista ao programa Expresso 103, nesta sexta-feira, o padre Geraldo falou sobre as obras realizadas no local.
“Eu diria que não foi apenas uma reforma, mas uma ampliação. Antigamente, as construções eram muito precárias e, com o tempo, já não era mais possível sustentar o prédio como estava. Procuramos preservar todas as características da comunidade, e o resultado está muito bonito. Amanhã, às 17 horas, teremos a missa de dedicação da Igreja de São Francisco, neste ano em que celebramos o jubileu de 800 anos da morte do santo”, explicou.
Segundo padre Geraldo, a igreja tem um valor histórico especial para a capital rondoniense.
“Dentro dessa proposta do centenário da Igreja, completando 100 anos de caminhada, teremos a alegria de reabrir essa capela com uma missa solene presidida por Dom Roque. Também faremos a dedicação da nova igreja”, afirmou.
Ainda de acordo com o padre Geraldo, a partir da próxima semana, a capela terá atividades regulares ao longo da semana:
- Terça-feira: Terço dos Homens – 19h30
- Quarta-feira: Adoração Eu carística – 19h30
- Sexta-feira: Santa Missa – 12h15
- Sábado: Santa Missa – 17h
A comunidade é convidada a participar desse momento especial de fé e celebração.
A entrevista completa com o padre Geraldo Siqueira está disponível no link, abaixo.







Conheça um pouco da história da igreja de São Francisco de Assis PVH
A construção da Capela de São Francisco de Assis, situada na Rua Campos Sales, esquina com Pinheiro Machado está ligada à devoção de um casal cearense, Antônio Moreira de Andrade e Maria Alves de Andrade. Segundo Cantanhede (1950), em um dos bairros da vila este casal, por ser muito católico, manda construir uma Capela nas proximidades de sua residência afastada do centro, onde só se podia chegar depois de atravessar veredas, mata e capoeiras.

O casal Andrade solicitou à Superintendência Municipal os lotes 1 e 2 da quadra 49, cujo terreno ficava em frente à casa onde residia. Nesse tempo, as ruas afastadas da área de influência da ferrovia eram cobertas pela floresta, havendo caminhos cortando pelo mato, que conduziam para as casas que se erguiam nas clareiras abertas (Borzacov, 2007).
Obtida a concessão assinada pelo Superintendente Joaquim Augusto Tanajura, houve o início da construção da Capela de São Francisco, sendo utilizadas matérias-primas da região, como taipa e palha. Os recursos financeiros aplicados eram do próprio casal Andrade e de algumas doações coletadas dentre os fiéis (Borzacov, 2007). A imagem do Santo veio do Rio de Janeiro, e o primeiro sino da capela, de Manaus, por encomenda (Cantanhede, 1950).
A pintura foi oferecida pelo odontólogo e farmacêutico Carlos Rocha Leal que possuía seu consultório, anexo a uma farmácia na Avenida 7 de Setembro, esquina com a rua José de Alencar. As portas, janelas e o altar foram confeccionados manualmente pelo casal idealizador da obra. O operário Manoel Saladino trabalhou na edificação do templo e o custo da obra foi de seiscentos mil réis (Borzacov, 2007). De acordo com Cantanhede (1950), terminadas as obras da capela de São Francisco de Assis em 1926 para 1927, somente muito mais tarde os padres passariam a celebrar os ofícios divinos, tomando a seu cargo a manutenção da Capela de São Francisco, cuja construção foi muito melhorada (figura 2). E, assim, surgiu a primeira igreja de Porto Velho.
Segundo Borzacov (2007), assim que a Capela de São Francisco ficou pronta, o casal Andrade organizou a primeira romaria, dia 4 de outubro, data dedicada ao Santo. Das primeiras romarias, participaram poucas pessoas e o percurso era feito ao redor da Capela. O cortejo seguia a imagem de São Francisco de Assis, vinda do Rio de Janeiro, principal símbolo da romaria.
De acordo com Borzacov (2007, p. 115), “Os Fiéis, nos primeiros anos da romaria reuniam-se para cumprir com as suas devoções durante a semana que antecedia o cortejo, para troca de oferendas, processo de aculturação fortalecido pela integração existente entre o grupo”. Daí em diante, a devoção a São Francisco de Assis, ano após ano, enraíza-se na alma do Porto-velhense e, atualmente, os promesseiros se vestem de Capuchinhos e Irmãs Franciscanas, alguns calçam sandálias, outros descalços. Outras formas de professar a fé são constatadas em alguns romeiros que acompanham o cortejo com tijolos na cabeça e outros, portando imensos círios e cruzes de Madeira.
Com a criação da Banda de Música da Guarda Territorial do Guaporé (1944), a Romaria passou a ser acompanhada, tendo assim além de orações, os hinos sacros cantado pelos pagadores de promessa. Obedecendo à tradição, a banda de música da Polícia Militar, que sucedeu a da Guarda Territorial, prossegue com o acompanhamento (Borzacov, 2007). De acordo com Borzacov (2007), “a Capela de São Francisco de Assis passou por várias modificações com correr dos Anos, entretanto as linhas arquitetônicas foram preservadas simples e com uma única torre” (p. 115).
Este material foi copiado da Das Amazônia – Resvista Discente de Historia da UFAC – de autoria de Ozonildo Fernandes Oliveira e Marco Antônio Domingues Teixeira




